domingo, 13 de junho de 2021
O Décimo Quarto Encontro
sábado, 27 de março de 2021
O Décimo Terceiro Encontro
Chegando ao hospital local Tereza e Alberto se dirigiram a recepção e perguntaram a atendente sobre um paciente chamado Jesus. A atendente fez um ar de espanto por detrás de sua mascara e falou em uma voz abafada:
__Olha muito difícil achar uma pessoa apenas pelo nome. Mais veja bem este não é um nome qualquer.
Tereza anteviu um sorriso por detrás da mascara, e também sorriu por trás da sua.
__No entanto não tenho boas notícias, a doença dele evoluiu muito, pois já era reincidente, já “hospedamos” ele por aqui várias vezes, e cada vez em um quadro ainda mais pior. Ele veio a óbito hoje de madrugada.
Tereza tampou os olhos com as duas mãos e começou a chorar, Alberto lhe abraçou.
__Lamento pela perda de vocês, como ele não foi infectado, vocês podem ver o corpo, vela-lo e providenciar o sepultamento.
Tereza balançou a cabeça afirmativamente, virou-se para Alberto e falou:
__Preciso de um momento sozinha com ele
Alberto balançou a cabeça afirmativamente e disse:
__Vou tratando da parte burocrática do sepultamento
Tereza seguiu uma enfermeira que lhe encaminhou por um imenso corredor, no final dele tinha uma sala, onde a mesma lhe abriu a porta e ela entrou.
Seu amigo estava deitado com um lençol sobre o corpo, removeu o lençol. Suas feições estavam serenas, parecia ter um leve sorriso no rosto. Tereza notou também que estava bem limpo, devia ter tomado um banho, a barba também estava bem aparada e os cabelos arrumados. Tereza foi tomada por uma tristeza profunda e se perguntou por que seu amigo tinha que ter ido dessa forma, porque as pessoas queridas se iam, ele ainda era tão jovem e tão bom.
__Faça a pergunta, Faça a pergunta, Faça a pergunta. E agora quem irá me responder??? (se perceber Tereza gritou bem alto)
__Eu irei lhe responder???
Quando olhou para o lado... Um Calafrio!!! Era ela mesma... Mais de novo??? Estava sonhando???
__Ok, ok já estou me acostumando com isso, e sei que não estou louco. Mais... Porque a mãe não veio???
__Porque existem momento em que você deve estar consigo mesma e refletir sobre as coisas. Este é mais um aprendizado!!! Eu sou quem estará com você até o final dos seus dias, sou o enviado, sou seu anjo e sua consciência. Com você ainda existem mais dois, mais ainda não pode vê-lôs, pois seus olhos ainda estão obscuros procurando ainda várias respostas. Jesus morreu mais isso não é o fim, pois em cada fim há um recomeço, para se nascer é preciso antes morrer e assim adentrar em novo ciclo. O que Jesus disse foram palavras de amor e sabedoria, ele não viveu em vão, trouxe alento àqueles que compartilharam de seus dias, seu sofrimento e sua carga são de certa forma um exemplo, pois além dele são muitos os que sofrem anônimos, desamparados, solitários. A você cabe disseminar sua palavra e sua sabedoria.
Tereza em seu entendimento ficou confusa, de que Jesus estavam falando??? Mais guardou silêncio com relação a isso, no entanto uma dúvida lhe surgiu:
__Quem são os outros dois???
__Eu sou o sábio o que traz as respostas que você já sabe mais lhe estão bloqueadas, O outro é voraz o que trás a proteção e o terceiro é mediador, antes que um fato seja consumado ele avalia e pondera.
__E se os três falharem???
__Se os três falharem é porque você falhou!!! Sua Consciência te chama para o que é certo, O Guerreiro te protegerá seu você estiver certa e o Conciliador falará por ti dos seus agravos e porque atentar contra você.
__Entendo, e se... Eu estiver errada???
__Então sofrerá as Leis da Causa e Efeito
__Há recurso???
__Sempre há, em estâncias superiores.
__Entendi, devo chamar pela Mãe ou pelo Pai.
__Exato, eles sempre tem o coração eterno e olham para aqueles que erram e sabem que erraram.
__Mesmo se o erro for gravíssimo???
__Mesmo
__Estranho... Pois a erros que não tem retorno
__Correto, nada se retorna, se segue em frente. Mais mesmo quando uma árvore tomba sua sementes já foram plantadas antes. Existe um sistema alheio ao seu, onde as coisas já foram deliberadas, e antes de acontecerem no Mundo de Malkut elas já eram sabidas.
Tereza se arrepiou toda.
__Como pode isso??? Então se alguém for assassinar alguém isso já é de conhecimento???
__Correto, o coração do ser humano e seus intentos já são previamente conhecidos.
__Mais e o livre árbitro???
__Ele o teve, sempre terá. Mais já sabemos isso com muita antecedência. Para que se possam haver intervenções e demoverem o Ser desse ato tão bárbaro, que é tirar a vida de seu semelhante.
__E a pessoa que morreu inocente, que culpa a tem???
__Culpa nenhuma, pois o sistema é perfeito. Se realmente era seu momento, tanto faz a forma em que ela finalizou seu processo. Isso pode chocar quem esta de fora, mais o fim é sempre o fim não importa a forma. A pessoa poderia simplesmente tropeçar bater a cabeça e finalizar seus dias, isso é justo??? E lembrando sempre que cada fim é um começo. Nada se cessa em definitivo, essa é uma das Leis.
__Agora as coisas se tornam claras, mais você me fala de Leis que desconheço. Quais são elas?
__Sim, são sete ao todo, como sete são muitas coisas. Os números falam com você preste muito atenção neles.
__Quais são essas Leis e como as acho?
__Continue procurando...
__Tereza, você esta bem???
Quando olhou para o lado Alberto estava com uma feição assustada
__Você esta aqui há horas então vim a seu encontro. Você estava com olhar parado vagando e cochichando baixinho. Pensei que fosse uma oração a princípio, mais você esta ai há horas então me preocupei.
__Esta tudo bem Alberto, podemos ir.
__Ok, os preparativos já foram encaminhados e o enterro será à tarde. Eles deixaram isso comigo. Falaram que Jesus disse que era para dar para você, que você saberia o que fazer.
Alberto lhe passou uma sacola, Tereza olhou dentro e viu folhas e mais folhas, retirou uma e leu o título: As Leis da Alquimia. Sentiu uma fraqueza em suas pernas e se apoiou em Alberto. Ali listado estavam as Sete Leis: Mentalismo, Correspondência, Vibração, Polaridade, Ritmo, Genero, Causa e Efeito. Não havia nenhum detalhamento sobre elas, era como se fosse um norte a se seguir…
__Tereza você precisa comer algo, já faz muito tempo desde que lanchamos na praça.
Tereza concordou!!!
Naquela tarde fria e com uma garoa fria o corpo de Jesus descia ao solo em um simples caixão, como simples foi sua vida. Tereza acompanhou o processo e muita coisa passava em sua mente. Entendeu que Jesus era seu Mestre mesmo morto estando, e que seus escritos e sabedorias iriam lhe guiar em sua jornada de busca. Também lembrou se de outro Jesus, e de quanto tempo fazia que não lia a Bíblia. Tereza tomou consciência de que teria muita coisa para ler naquela pandemia que se arrastava
terça-feira, 22 de dezembro de 2020
O Décimo Segundo Encontro
A vida de Tereza seguia uma normalidade e fluidez incríveis, seu novo atelier montado no cômodo contíguo estava a pleno vapor, uma vez por semana fazia um pequeno quadro, coisas simples para apurar suas técnicas e treinar as aulas online, na qual havia se inscrito.
Lá fora o mundo andava meio louco com o
surto de um vírus letal, pessoas morrendo, sobreviventes abalados usando
máscaras para se protegerem, uma imensa desordem física e estrutural, no qual
Tereza procurava manter sua normalidade, fazendo as coisas que mais gostava e
economizando horrores para que o dinheiro que receberá do antigo emprego, mais
economias que fizera durante os anos rende-se mais. Enfim, vivia seu novo
sonho. E por falar em sonhos, como será que andava Jesus em meio àquela loucura
toda?
Tereza se alto congelou e sua mente flui
por vários pensamentos, pensou na possibilidade de ajudar Jesus e aproveitar
todo o seu talento. Mais como? Pensou... pensou... Talvez alguém de fora.
Talvez Dr. Alberto, quem sabe
Quando deu por si, estava com o telefone
na mão, marcando uma nova consulta. No outro dia pela tarde (queria ser a última
consulta do dia, para ter mais tempo com o Dr.) já estava na recepção do
prédio. A recepcionista olhou fixamente para ela e deu um sorriso.
__Ah!!! Você voltou. Quase todas voltam.
Porém você está bem diferente heim. Cá entre nós, eu também marquei uma
consultinha lá com o Sr, Alberto. E adorei!!!
Novo sorriso da atendente, ela colocou o
dedo indicador sobre os lábios, em sinal de silêncio. Seria o pequeno
segredinho entre ela e a recepcionista. Ela lhe sorriu de volta retribuindo o
mesmo sinal.
Ao chegar no consulto aguardou na sala de
espera, em minutos o Dr. apareceu na porta do consultório e a fitou longamente.
__Tereza?
__Sim essa sou eu (risos)
__Pode entrar
Tereza se sentou na confortável cadeira de
paciente, Alberto sentou-se na cadeira logo a frente, ainda a fitava.
__Curioso!!!
__Quem??? Eu???
__Sim, sim você teve uma bela
transformação. Deve ter seguido minha receita (risos)
__Ao pé da letra (mais risos)
__Bom, então vamos lá. Me conte como tem
encarado seus fantasmas, ainda mais em um momento destes que estamos vivendo?
__Na verdadeeeee...
__Sim?
Tereza piscou um olho
__Minha vinda aqui não é na verdade uma
consulta
__Ahhhh, então de que se trata?
__Bom vamos ao começo! Eu não conheço
muitas pessoas, sai do antigo emprego, estou tentando algo novo, pintura
__Olha, isso é uma coisa excelente!
__E me lembrei do Dr.
__Olha pode me chamar de Alberto
__Ah sim! Então pensei...
__Sim?
__Que o senhor deve conhecer um bocado de
gente?
__Ah! Claro. E você gostaria que indicasse
alguns, para você vender quadros. Acertei?
Tereza arregalou os olhos
__Não, não é nada disso (risos)
__Puxa errei feio então
__Não chegou nem perto
__Então vou encerrar minha carreira de
adivinho e deixar você terminar
__Veja bem, você pode até achar
estranho... Já faz um tempo, em nossa última consulta, quando sai daqui eu
conheci um rapaz. Um morador de rua. Conversamos um pouco, levei ele para comer
algo
__Que linda atitude!
__Ah sim, obrigada. Então este rapaz me
mostrou uns textos e vi que ele tem um talento enorme para escrita, decidi
ajuda-lo. Mais não sei por onde, não conheço ninguém deste círculo intelectual.
Ai pensei... Sei lá... De repente o Dr... Quero dizer, você. Conheça alguém que
possa fazer este encaminhamento e ajudar este rapaz?
__Puxa que incrível. Eu conheço sim, pelo
menos duas pessoas
__Veja eu trouxe um texto dele que ficou
comigo
Alberto pegou a folha da mão de Tereza e
leu umas três vezes
__Realmente muito bom! Teria mais?
__Na verdade não
__Uma pena. E onde achamos este rapaz?
Tereza arregalou os olhos novamente!
__Nossa eu sou uma tola né? Vim aqui te
incomodar em seu serviço, e nem sei onde localizar esta pessoa. Na última vez
eu encontrei ele aqui na praça em frente ao prédio
__Perfeito, então vamos lá. Se for este o
destino, o rapaz nos aguarda. E urge encontra-lo de imediato
Alberto arrumou o consultório, trancou a
porta e desceram pelo elevador. Ao descerem no térreo Tereza enroscou seu braço
no de Alberto, este lhe sorriu. Ao passarem pela recepção Tereza deu uma leve
piscadela para a recepcionista, que lhe olhou atônita, mais logo lhe sorriu
largamente.
Quando chegaram a praça Tereza foi direto
ao banco onde havia encontrado ele pela primeira vez, mais sem sucesso, então
resolveram fazer um pequeno passeio de reconhecimento e busca, mais depois de
uma hora e meia não obtiveram sucesso algum. Alberto teve a ideia de se
separarem eu perguntarem aos mendigos locais, Tereza atendeu prontamente a
ideia dirigindo se para o lado direito enquanto Alberto seguiu para esquerda.
Depois de mais de duas horas já haviam se encontrado novamente no ponto inicial
se que nenhum dos dois tivesse obtido a mínima informação. Tereza se lamentou
por ter esperado tanto tempo então sentaram se no banco, foi então que a
barriga de Tereza roncou em alto som, ela corou
__Ok moçinha, já estamos andando a um bom
tempo, então chegou a hora de abastecer
__Excelente ideia!
__Vamos comer no lugar mais chique desta
praça. Eu te prometo
Aberto levantou-se tomou a mão de Tereza e
deram três passos
__Pronto chegamos!
Tereza deu uma sonora gargalhada, estavam
de frente a uma dessas dezenas de carrinhos de cachorro quente que ficavam
espalhadas pela praça
__Ah!!! Isso sim é muitooooooooooo chique!!!
Por favor quero um cachorro quente duplo e mais um refrigerante, por favor.
__Pois não mocinha, fique à vontade e
sentem-se por favor enquanto vou preparando
O senhor do carrinho de lanches parecia um
velhinho bem simpático, enquanto preparava os lanches cantarolava uma cantiga.
Tereza teve um clique nesse momento
__Espere, espere. Senhor onde aprendeu
essa música? Ela não é assim muito comum
__Verdade, você tem razão no que diz. Mais
de tanto ouvir um mendigo cantarolando ela eu meio que peguei de cabeça. E não
é que é uma bela melodia (um sorriso)
__E como se chama esse mendigo?
__É o Jesus. Ele é o mais pacato e calmo
mendigo desta praça
Tereza não podia se conter em sua
felicidade
__Olha estamos procurando ele a horas.
Mais pelo que vi pouco o conhecem, e os que o conhecem não tem notícia alguma
__Sim é verdade praticamente ninguém sabe
o que aconteceu com Jesus. A não ser uma pessoa
__E quem seria essa pessoa? (perguntou
Alberto)
__Eu!
Tereza aflita disparou em seguida
__E onde ele está?
__Infelizmente, internado em hospital.
Certa manhã quando cheguei para trabalhar notei que Jesus respirava com
dificuldades, até pensei que tinha contraído esse vírus que se espalhou por todo
canto. Mais ao leva-lo ao hospital, constataram que o pobre estava com começo
de pneumonia, no entanto, nem se assustaram, por ser uma doença muito frequente
nos moradores de rua. Noites e mais noites ao relento, períodos de inverno,
mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. E vou fazer visita para ele a cada
dois dias, se quiserem eu dou o endereço do Hospital e vocês podem ir lá
diretamente ver como ele está.
sexta-feira, 13 de novembro de 2020
O Décimo Primeiro Encontro
Tereza acordou de um sobressalto
Ainda esfregando o olho apanhou o celular e atendeu
Na verdade, não disse nada, seu coração batia aceleradamente por conta do pesadelo que tivera e ainda tentava absorvê-lo.
Do outro lado da linha uma respiração profunda!!!
Houve um tempo de um minuto em que nada, absolutamente nada acontecia, o mutismo de Tereza contrastava fortemente com a respiração do outro lado, e isso meio que pareceu uma eternidade, o que dava impressão de que ela estava entre um mundo real e o imaginário. Estaria realmente acordada??? Ou estava dentro de um sonho dentro de outro???
Finalmente a pessoa do outro lado da linha resolveu se manifestar
__Ah!!! É você!!!
Respondeu Tereza secamente, a pessoa do outro lado da linha falava atabalhoadamente
__Caríssimo, respira um pouco e fala pausadamente, pois não entendi absolutamente nada do que você falou. E outra, acabei de acordar agora, e não muito bem por sinal!!! Não prefere me ligar mais tarde
Mais conjecturas...
__Hum... Ok!!!
Do outro lado da linha a pessoa começou a chorar copiosamente aos soluços, Tereza pensou consigo mesma: Que tédio!!!
__Ok, ok também não é para tanto, não é??? O mundo não acabou!!!
A pessoa fala...
__Sei, sei. Eu entendo!!!
Mais soluços, mais explicações...
__Aham!!! Olha, vou lhe falar o que penso disso...
A pessoa lhe interrompe abruptamente
__Tá bom, tá bom. Te encontro no lugar marcado hoje à tarde, lá pelas 14 horas, pode ser???
A pessoa se senti aliviada, se despede, encerra a ligação
__Ah sim isso é realmente o fim da picada!!!
Tereza se levanta, esta nua, sua silhueta vaga pelo quarto escuro, parece estar perdida. Vai até a porta do quarto, retorna, pensa... Abre a gaveta da cômoda e separa umas roupas, escolhe um tênis descolado (ela anda pelo quarto na escuridão, sabe perfeitamente onde esta cada coisa como se tudo estivesse claro, é seu pequeno mundo!!! Desde de crianças Tereza tinha essa habilidade estranha, de memorizar onde está tudo, era como um jogo, e sua mãe brigava sempre com ela - Tereza pare com isso!!! Uma hora você vai cair, tropeçar em algo, bater com a cara na porta. Mais não isso nunca acontecera – agora ela sorria lembrando-se disso. Teve então uma ideia de ampliar essa habilidade pela casa toda (deu uma sonora gargalhada).
No chuveiro Tereza abriu ele e deixou a água lhe cair sobre a cabeça (gostava sempre de uma temperatura tórrida). Ali ela meditava várias coisas sobre sua existência e sobre o mundo, era como um mantra interno, se dava alguns minutos consigo mesma. Só depois pegava o shampoo e lavava seus cabelos por um bom tempo, eles eram logos e negros. Depois pegava o sabonete esfregava na esponja de banho e passava ela suavemente por sua pele, começava pelo pescoço, deslizando pelos braços tal como uma dança ela voltava pelo mesmo caminho e encontrava seus seios, tudo isso ao som de Mary Carey que saia de seu celular, e ela acompanhando o ritmo, olhos fechados, a esponja descendo seu ventre e indo encontrar suas particularidades mais profundas!!! Então ela finaliza o rito em suas longas pernas, um enxague final e desliga o chuveiro. O banheiro é puro vapor d’agua, vai até o espelho e escreve: ALQUIMIA!!!
Voltou ao quarto para se trocar, lembrou do sonho e fez um paralelo com a ligação que recebera. Seriam os sonhos um pressagio??? No sonho ela foi a um encontro em um lugar bizarro onde as coisas foram se desenrolando até um final fatídico. Suspirou profundamente e pensou: o que tiver que ser, será!!!
As horas realmente voaram, desde a manhã de hoje. Agora ela estava sentada na praça de alimentação do shopping comendo um salgado e tomando um café, aguardando aquela figura estranha que fora seu namorado, ele sempre tão pontual estava uma hora atrasado, chegou apressado, parecia que fugia de alguém, parecia mais gordo e abatido
Lhe deu um beijo na face e sentou-se na sua frente
__Desculpe o atraso viu, foi o transito
__Ah sim, sempre o transito (Tereza sorriu)
__Mais é verdade!!! Juro!!!
__Ok, não precisa jurar, eu acredito, mesmo porque se não for isso, não vai fazer a menor diferença
Tereza mantinha aquele sorriso, parecia que o feria profundamente, ele engoliu seco
__Bom eu não quis falar pelo telefone, mais a verdade é que queria lhe pedir desculpas pessoalmente, acho que devo isso a você
__Olha, você não me deve nadinha rs
__Devo sim!!! A você, as pessoas, ao mundo. Hoje vejo que nunca fui uma boa pessoa, pois estava sempre preocupando comigo mesmo. E obrigava os outros a serem como eu queira, e fazer o que eu queria
__Olha, só de você pensar assim já é uma grande evolução de sua pessoa...
__Tereza... Eu vou morrer!!!
Ela arregalou os olhos, ele pegou em suas mãos
__Cara deixa de besteiras...
__É verdade, o médico disse. Tenho um ano ou dois
Silêncio...
Olhares...
O mundo naquele instante se resumiu a eles dois, e aquele imenso e lotado parque de alimentações parecia estar vazio e extremamente silencioso
Tereza se levantou, deu a volta e lhe deu um forte abraço por trás. Aquele homem que ela conhecerá antes tinha ido embora realmente, uma pessoa grosseira e má, que ria das desgraças dos outros, que impunha até mesmo a roupa que ela devia vestir. Agora ali, diante dela estava um ser humano carente e se sentindo só. Ela se aproximou de seu ouvido e lhe disse baixinho:
__Eu te amo!!!
Sentiu o corpo dele estremecer todinho, achou até que ele iria se desmanchar naquele exato momento. Ele se levantou, ficaram frente a frente e se abraçaram por um longo tempo. Lagrimas correram pelos olhos de ambos
__Olha cara, só vou te dizer uma coisa. Nada é definitivo, pois o Pai sempre dará a palavra final. Lute, simplesmente lute apesar dos diagnósticos e estatísticas. Os médicos estão aí para isso, nos dar dados frios e exatos. Mais o amor do Pai vai muito além de números, pois ele é o dono de todos os números existentes.
Ele lhe sorriu de volta. Ela percebeu que conseguira atingir seu coração e conseguiu arrancar dele um sorriso sincero
__É verdade Tereza, como você é maravilhosa, eu não havia em momento algum pensado nesta possibilidade e você realmente me deu uma esperança que antes não tinha. Sim, eu vou me cuidar. Tanto por dentro, como por fora!!!
__Olha eu estou disponível para acompanhar você em consultas e sessões de tratamento
Ele balançou a cabeça afirmativamente e agradeceu. Naquele momento nascia um novo tipo de amor. Um amor que não era de um casal, que não era de homem e mulher, mais sim o amor entre dois seres humanos, entre duas almas, uma que estava em progresso e outra que despertara de sua própria escuridão
sexta-feira, 16 de outubro de 2020
O Décimo Encontro
Tereza tinha ido à uma velha construção abandonada que existia em sua rua para encontrar uma pessoa desconhecida que havia lhe enviado uma carta anônima que fora colocada por baixo da porta de sua casa. O texto era simples, dizia apenas, vá a este endereço pois tenho uma revelação a lhe fazer, assinado: alguém que lhe quer bem.
A casa era sinistra desde a fachada. O portão velho e todo enferrujado fez um estrondoso ruído assim que ela forçou ele para abri. Era um sobrado antigo da década de cinquenta. Existia uma história sinistra que contava que ali houveram vários assassinatos em série e por este motivo a casa não foi passada para frente, além de estar envolvida em vários processos entre herdeiros.
Tereza adentrou o que antes era um lindo jardim, mais agora imperavam folhas secas, teias de aranha, árvores enormes, bizarras e ressequidas pelo tempo que impedia a luz do sol de adentrar naquele ambiente
Tereza desde de sua metamorfose não tinha mais sentido medo de nada nesta vida. No entanto aquele local lhe causa um sentimento negativo, tristeza, asco. Uma vontade imensa lhe invadiu de estar bem longe dali, no entanto sua curiosidade era maior. Olhou no entorno para ver se via alguém
Foi contornando a casa, até dar nos fundos e chegou até a antiga piscina, ouviu um choro de criança que vinha lá de dentro. Chegou na borda para dar uma olhada, mais nada viu, além de folhas secas e vários insetos. Dizia a lenda que o filho do último casal morador na casa tinha se afogado ali, era uma criança de apenas oito anos. Por um instante Tereza imagino a agonia da criança tentando sobreviver sobre o turbilhão de águas que lhe invadiam as entranhas junto com uma vontade enorme de poder gritar para que alguém viesse lhe salvar, no entanto, os pais estavam muito preocupados em saber qual investimento fariam para aumentarem seus ganhos na bolsa de valores...
Ali também existia uma churrasqueira de alvenaria, Tereza viu muita gente rindo alto, comendo e bebendo, homens e mulheres de roupa de banho...
Continuou contornando a casa pelo outro lado onde existia um corredor enorme ao que dava entender que ali era a entrada de carros da casa, pois no fundo, paralelo a piscina havia um amplo espaço do que antes era uma cobertura para carros, ainda estava ali um deles totalmente corroído pelo tempo, assim como seu último morado, que após o suicídio de sua esposa (pois não suportou a morte da criança) enlouqueceu e foi internado em um manicômio. Tereza pensou nesse momento em como a vida era frágil e as vezes dramática, pois apesar de toda aquela riqueza, aqueles que nessa imensa casa moraram não conseguiram ser felizes e usufruir de tudo aquilo que possuíam. Como pode isso, as vezes quem pouco tem, é tão feliz e vive-se uma vida tão plena!!!
Tereza acabou saindo novamente na frente da casa, e nada de encontrar viva alma, deveria entrar???
Fico ali parada olhando para o alto, aquela imensidão de casa. Lembrou também de filmes e séries de suspense que coisas desse tipo nunca acabavam bem. Afinal ela nem sabia que a havia arrastado aquele lugar. Tomou se de coragem e pressionou a porta de entrada, que rangeu como um gemido, seus pelos se irisaram e um arrepio tomou todo seu corpo
Deu de cara com a sala, era gigantesca e cheia de móveis comidas pelos cupins, de frente havia uma escada que estava deteriorada, o chão era de madeira e conforme ela pisava sobre ele, o mesmo ia fazendo estalos horríveis. Chegou a cozinha, alia uma grande pia e uma torneira que gotejava água, na parede um armário ainda guardava louças de porcelana no estilo Francês. No canto havia uma porta com um pequeno corredor, que ia dar no quarto da empregada (a mesma que encontrará o menino morto na piscina)
Tereza voltou a sala e ponderou se deveria subir as escadas. A casa era uma escuridão total, olhou no celular já eram quase seis horas, não seria uma boa ideia estar ali quando o breu da noite tomasse conta de tudo. Deu passos rápido e subiu a escada, tomou o rumo a direita, no fundo estava o quarto do casal, cortinas corroídas por traças, a cama tinha cedido uma perna estava torta, o guarda-roupas era embutido na parede com lindos detalhes de entalhes, no chão ainda estava lá um lindo tapete persa resistindo a tudo isso, quase impossível. Ela voltou do lado um quarto de hospedes com uma cama de solteiro e outra de casal, mais a frente perto da escada mais um quarto, também todo mobiliado, no entanto tinham tons femininos. Tereza avançou até o último quarto na direção oposta, estranhamente era o único que estava com a porta trancada, tentou forçar para ver se abria, quando nesse instante ouviu bater da sala. Seu coração saltou e acelerou abruptamente.
Voltou vagarosamente e olhou para baixo, conseguiu ver um homem enorme que estava com um casaco e um capuz sobre a cabeça (estranho pois era uma tarde muito quente). O homem colocou a mão na parte de trás da cintura e sacou uma arma
Tereza teve muito medo nessa hora, se arrependendo imensamente de estar ali naquele lugar, pegou o celular para pedir ajuda e viu que a carga da bateria estava por um fio e piscando, ou seja, tinha segundos para ligar para alguém. Mais seu pavor maior, for perceber que estava sem sinal nenhum
Começou a ouvir o som da pessoa subindo as escadas, então ela se arrastou para o outro lado, tentando não ser detectada e foi até o quarto do casal, abriu as janelas e botou o celular para fora. Enfim, deu sinal!!! Fez a ligação para um nove zero, a bateria acabando... e som dos toques da chamada lhe batendo ao ouvindo, tum, tum, tum
Tereza começou a chorar copiosamente, tum, tum, tum...
Olhou para o lado repentinamente...
Estava na sua cama...
Seu celular tocava, tum, tum, tum...
sexta-feira, 11 de setembro de 2020
O Nono Encontro
Tereza com certeza estava bem mais leve
A cada atitude sua, seu mundo ia se transformando
E um novo vislumbrando a sua porta...
Estava no avião procurando o número de seu assento
Colocou a bagagem de mão na parte superior
Quando ligeiramente olhou para a sua companhia de viagem
O rapaz que estava sentado olhou para ela e deu um sorriso
Tereza sentiu um forte calor, com certeza havia corado
Tentou disfarçar, mais já era tarde
O rapaz no assento era alto, um tipo atlético
Negro, com a barba levemente por fazer
Porém, trabalhada na lamina, fazia um desenho geométrico
Exalava um perfume deliciosíssimo
Que mexeu com a libido de Tereza
Assim que ela se sentou, ele se apresentou
__Olá, meu nome é Gabriel!!!
Ah sim, como não lhe bastassem os encontros mais bizarros possíveis, agora estava diante de um anjo
Tereza ficou muda, sem ação, apenas lhe estendeu a mão
__E você é... Não, não fale!!!
Como se ela pudesse esboçar alguma palavra naquele momento
__Isso, você é Tereza
Tereza passou do vermelho para o branco pálido
__Co... Como você sabe???
O rapaz riu divertidamente
__Eu estava atrás de você na fila do checkin
__Ah... sim!!! (disse Tereza balançando a cabeça convulsivamente)
__Eu, eu cheguei a pensar que você fosse um anjo, como eu sou tola não???
__Que triste!!! Então você quer dizer que não existem anjos negros???
__Ouuuuuuuuuuuu me desculpe, não foi isso que quis dizer
__Mais veja bem, você não está de todo enganada
__Ai, ai, ai, lá vamos nós. Já posso fazer a pergunta??? Ou vamos voar um pouquinho por ai enquanto penso nela???
O rapaz riu ainda mais
__Não, não, eu não sou Malak. Eu estou aqui para lhe conceder um pedido
__Ah tá então você é um gênio!!! Mais de qual lâmpada você saiu mesmo???
__Tereza, existem várias categorias de auxiliares, mais nenhum deles sobrenatural. Existem os Malak’s que trazem mensagens e tiram dúvidas, os Ledaber’s que escutam e transmitem os pedidos. Todos temos nossas vidas normais, no entanto recebemos estes chamados, que nos vem repentinos, e estamos prontamente disponíveis para executa-los
__Entendi. Mais os pedidos não são feitos via oração?
__Sim, perfeito!!! Mais no seu caso é diferente
__Diferente porque???
__Porque esta em outro nível. E esta inconsciente. Os outros não, pode observar cada um deles. Estão todos dormentes, preocupados com suas vidas. Dividas, doenças, desemprego, brigas em família, e quantas mazelas mais você possa imaginar. Os pedidos deles sempre são para sanar algum problema relativo a estas coisas de Malkut. Você Tereza, esta na busca, e estas coisas deste mundo estão deixando de fazer parte de seu objetivo. Mesmo porque, você já atingiu o objetivo da grande obra em alguns Eons, no entanto você se voluntario para o retorno afim de concretizar outro objetivo.
__E qual objetivo é esse?
__Esta resposta eu não tenho. Você deve busca-la por si só, ou aguardar o Malak respetivo a este entendimento.
__Ok, então quer dizer que eu tenho um pedido a fazer???
__Correto!!!
__Nunca fui boa com estes negócios de pedidos. Quase sempre acabo metendo os pés pelas mão e fazendo escolhas não muito interessantes
__Pela sua aura Tereza, não é bem isso que vejo
__Ah então quer dizer que até isso você consegue ver??? Que loucura, só falta você dizer que esta vendo minha roupa intima também (risos). Desculpe, desculpe, acho que passei dos limites
__Sem problemas Tereza, somos acima de tudo humanos. E não estamos imune a desejos. Só temos que equilibrar eles
__Certo. Então como nosso voo é rapidinho, que tal se tomássemos uma dose desse whisky e depois nos divertirmos rapidinho lá no banheiro do avião.
Tereza deu um sorriso muito sacana e uma leve piscada e olho. Agora quem ficou rubro foi Gabriel
__Olha, você me surpreende, a anos escutando pedidos e este foi o mais interessante que recebi
__Ah, não, não, este não é meu pedido (risos), apenas uma ideia
Gabriel tomou uma dose de whisky, se reclinou em direção a Tereza e lhe deu um caloroso beijo. Tereza ficou sem folego, olhos atônitos, tomou sua dose de whisky, abanou-se com as mãos
__Bom anjinho, vou indo na frente, te aguardo...
O avião aterrissou sem problemas em Guarulhos, o sol já ia alto, quase meio dia
__Gabriel, esta com muita pressa? Vamos almoçar aqui no aeroporto antes de irmos
__Ah sim, é uma excelente ideia, e além do mais não fez seu pedido
Tereza sorriu
O restaurante estava bem movimentado, pessoas indo e vindo, ritmo flenético. Escolheram uma mesa bem ao canto, perto da janela, onde dava para se ver a pista e os aviões indo e vindo
__Então Gabriel, é permitido saber sobre sua pessoa?
__Claro, sem problemas. Eu trabalho com arte, então estou sempre indo e vindo por estes aeroportos do mundo.
Deu um cartão a Tereza, estava escrito: Gabriel Nascimento Luz – Marchand, mais seu telefone e um site
__Olha, isso é bem interessante e conveniente. Estou pretendendo me lançar no mundo da pintura. Talvez você me seja útil
__A disposição Tereza. Quero que entenda que não é comum me relacionar com pessoas as quais e recebo “o chamado”. Se fizesse isso com frequência, minha vida se tornaria um caos. Então estou sempre focado na essência da coisa. Mesmo porque eu sou apenas um ativador do gatilho, um impulsionador. Na vida as pessoas recebem muitos destes gatilhos, mais quase sempre não estão atentas e o momento passa despercebido. Alguém que se encontra na rua, alguém que um dia já trabalhou com você. São pessoas que passam por você quase que despercebidas. Elas lhe dão uma deixa, uma ideia, mais se sua dormência for muito grande e latente. As oportunidades vão passando. E tanta gente lamenta, não ter tido oportunidades na vida, quando simplesmente elas passaram a sua frente. Mais não se deram conta, pois estavam focadas em coisas banais ou problemas que não conseguiu solucionar, ou não queriam, ficavam protelando
__Sim Gabriel isso é a pura verdade. De uns tempos para cá, ando resolvendo muita coisa que estava atulhada. Relacionamento abusivo, trabalho fora de perfil, problemas em família. E se parar para pensar ainda acho mais. (risos)
Os dois conversaram sobre coisas diversas e os minutos voaram rapidamente, o celular de Gabriel tocou e ele atendeu
__Tereza, hora de ir!!!
__Ah, sim, vamos então ao pedido. Uma vez um rapaz pediu sabedoria para o Pai, na verdade ele já foi sábio em fazer este pedido. De forma que o meu pedido é este: sabedoria e discernimento para seguir o caminho e poder ajudar meu próximo.
__Perfeito Tereza, não esperava coisa diferente de você. Como disse antes isso aqui foi apenas um gatilho, ou se quiser, um treino. A grande sacada é pedir coisas de coração, se for com a própria voz é ótimo, mais um bom pensamento também é válido. O pedido não pode ser para si mesmo, deve ser para outro não importando se no final você irá se beneficiar também. Lembre-se sempre que os caminhos são de mão-dupla, eles vão, mais com certeza também retornam.
Na porta do aeroporto, se despediram, deram um último beijo, longo e quente. Cada um entrou em seu taxi e partiram para destinos diferentes
sexta-feira, 21 de agosto de 2020
O Oitavo Encontro
Tereza acabava de entrar em casa com suas compras quando seu celular tocou diversas vezes.
Era sua irmã Paola...
Sentiu de imediato um frio que lhe transpassou o corpo, da cabeça aos pés
Já fazia anos que não se falavam (brigas familiares)
A notícia, seu sobrinho Pedro havia falecido...
Foi tomada por uma profunda tristeza, chorou copiosamente, por horas
Sua irmã tinha se mudado há uns cinco anos para cidade do Rio de Janeiro, mais velha de todos, decidiu tomar o rumo em sua vida, pegou o filho único pela mão e sem dar satisfações a resto da família simplesmente partiu em uma manhã fria de julho
Tereza se pôs a fazer as malas pois cabia ali um último adeus, se bem que não era muito de ir a enterros, mais precisava de fato pôr um fim a mais um capítulo de sua existência. Fazer as pazes com a irmã e ver uma última vez o sobrinho amado.
Na fila do chek in parecia um zumbi, não tinha a percepção das pessoas a sua volta, estava totalmente interiorizada, a mente estava pesada, prestes a explodir. Tomou seu acento no avião... a mente vagou
Revia a briga horrível que teve com sua irmã (a última delas). Por conta do pai do sobrinho. Uma amiga de sua irmã tinha plantado uma semente amarga sobre uma possível relação entre ela e o cunhado. Foi tudo em uma tarde de novembro, Tereza está no shopping fazendo as compras de natal, lembra-se que comprar um DVD de games para o sobrinho. Estava muito feliz, foi tomar um café na praça de alimentação quando encontrou Pedro, que por sinal estava muito contente também, primeiro dia de férias. Ele a convidou para o acento na mesma mesa. Foi algo normal e inocente, lancharam, conversaram quando um improvável celular fez uma foto e uma postagem indiscreta...
Quando chegou em casa a briga foi horrível, sua irmã já a horas já atormentava sua mãe falando do encontro dos dois e o quanto eram safados, o pequeno Pedro chorava aos berros, pois amava a todos intensamente. Paola então começou a xinga-la de todos os nomes baixos possíveis e imagináveis, chegou a avançar sobre sua face fazendo um arranhão horrível que lhe deixou uma bela cicatriz por dentro e por fora. No outro dia quando acordaram deram pela sua falta, mais o menino. Novo choro da mãe que culpou Tereza até o fim de sua vida, expulsando a mesma de casa.
Chegando agora ao velório de Pedro, sua irmã foi a seu encontro banhada em lágrimas. A abraçou fortemente, milhares de pedidos de perdão, Tereza nada falou...
Foi ao caixão do sobrinho, estava lindo, 19 anos, um rapaz, ao lado uma foto sua ainda criança, da idade a qual o tinha visto pela última vez
Um filme passou em sua cabeça, de quanto aquela criança sofrera, ela nunca fora amada o suficiente. Um nascimento não programado, Paola via-o como um empecilho em sua relação com o Pai. Pois assim que a criança nascera acabaram se os teatros noturnos, a vida boemia de que tanto gostava, tinha aversão a trocar fraudas (repulsa), o pai é quem fazia tudo isso com um grande desgosto pela forma de como ela agia. Era realmente uma mãe atípica. O pai via as famílias no bairro, encontros de famílias, almoços, festas, mais Paola era mesmo da badalação. Tomou então o hábito de ter más amizades e trazia sempre para casa pessoas estranhas que ficavam bebendo até tarde, tinha até desconfiança que usavam drogas. Suas redes sócias eram repletas de fotos com o copo na mão, roupas sexys e amigas extravagantes.
Como os pais trabalhavam passava boa parte do dia dom a avó e os tios, mais era com Tereza que ele mais se abria, desde de a tenra idade. Praticamente via na avó e na tia a mãe que sempre quis ter, eram tarde memoráveis, de brincadeira, lanches, filmes e passeios.
Foi então que Paola foi demitida e as coisa se complicaram, com a grana pouca não tinha mais como sustentar sua vida e vícios. Passou a culpar o marido por ser um fracassado na vida profissional e ganhar tão pouco, e o filho de que não passava de um fardo o qual tinha que carregar
Proibiu então o pequeno Pedro de ficar na casa da avó, culpou-a de mimar muito a criança, dizendo que ela precisava ser doutrinada. Logo em seguida veio o episódio da briga das irmãs
Paola tinha uma amiga que estava de retorno para o Rio, com promessa de emprego com ganhos altos, não pensou duas vezes. Nunca ninguém soube que empego era esse, no entanto lhe deu uma vida confortável, no qual podia pagar um apartamento em Leblon e ter a vida que tanto gostava (fútil).
Tereza se sentou em silencio ao lado de Paola, que narrou os últimos acontecimentos:
Pedro se envolveu com uns garotos maus da alta sociedade, e começou a beber e usar drogas precocemente, nada disso sua mãe percebia (apesar dos alertas da vizinhança), só estava tranquila por saber que ele tinha amigos e estava sempre sorrido. Suas idas até a faculdade estavam ficando muito raras, mais Paola nem se apercebeu disso, pois não tinha tempo, ficavam quase sempre sabendo por ligações de professores e amigos, o pai de Pedro havia refeito a vida casado novamente e tido uma filha, chegou mesmo a fazer vários convites para o filho ir morar com ele, todos em vão. Até que o fatídico dia chegou, Paola foi acordada por barulhos de sirenes, era a Polícia, seu filho tinha se envolvido em um acidente de carro e a morte foi fatal.
Paola pedia perdão convulsivamente e gritava alto: o que vou fazer agora da minha vida, não tenho ninguém?
__ E seus amigos Paola, onde estão
__ Não vieram, nenhum deles! Acho que estou acordando agora de um sono profundo
__ E Pedro não veio ao velório do filho porquê?
__ Foi promovido, está nos Estados Unidos
__ Entendo...
__ Você tem dinheiro para ir tocando adiante?
__ Sim, sim tenho, consegui um bom emprego quando vi para cá. Mas vejo que isso de nada valeu. Acho que preferia estar com minha vidinha simples e feliz que tinha anteriormente sabe! Uma família
Colocou as mãos no rosto e voltou a chorar muito
Tereza pensou, pensou muito
__ Veja Paolo, eu ti perdoo, porque todos merecem o perdão. Minha casa está com as portas abertas para você. Parece-me que você ainda tem laços por aqui. Mais se um dia esses laços se romperem, pode retornar. Tente apenas se reconstruir, mais de um modo diferente. Até a data de hoje você viveu apenas para você mesma. Mas veja, a vida é uma comunhão onde todos estamos conectados, onde uns precisam dos outros. Com exceção de alguns mestres que conseguem seguir por si mesmos. Você simplesmente via seu lado, não procurou saber de Pedro, de Pedrinho, da mãe, de mim e dos outros irmãos, atropelou a todos com sua arrogância e pretensão. Mais enfim nada do que se passou tem um concerto ou retorno, deves plantar sementes novas, novos frutos. Eu parto de volta hoje mesmo, mais fica aqui o meu número e sempre que precisares é só entrar em contato
__ Tereza você está tão diferente, parece tão mais segura, que parece que você é a irmã mais velha! Sim vou seguir seus conselhos e tentar seguir adiante
Chegado o momento o caixão foi transportado a seu destino final. Tereza teve que improvisar uns dois funcionários da funerária para ajudar a carregar a urna, dois amigos da faculdade de Pedro compareceram. O enterro foi triste e frio, Paola caiu de joelhos e terra e as lagrimas inundaram a terra ressequida. Tereza ponderava sobre que uma pessoa podia fazer consigo mesma e ainda atingir inocentes. Quantas e quantas Paolas não estão por ai no mundo fazendo sofrer pequenos e grandes Pedros.
Na porta do cemitério uma última despedida, um abraço silencioso, Tereza sinalizou para um taxi e partiu, essa seria a derradeira vez que veria sua irmã mais velha...